CRIAÇÃO DE GARRA PARA SUCESSO, ESTÁ PREPARADO?

  Sucesso é igual a preparação mais oportunidade

Todos os dias vemos na imprensa exemplos de pessoas que nasceram pobres, geralmente em comunidades, e que conseguiram sucesso. Não estou falando de jogadores de futebol, mas de pessoas que seguiram carreiras intelectuais. Quando perguntadas sobre as dificuldades que enfrentaram, geralmente respondem: “Meu ambiente não ajudava, todos diziam para eu desistir porque não conseguiria. Mas eu acreditava.”. Ou seja, lutaram contra a ideia geral e não tinham exemplos para seguir. Por que conseguiram? Continue comigo. 

Observe o título do artigo do jornal Valor Econômico. A reportagem fala de jovens da comunidade de Paraisópolis, São Paulo, que estavam indo para a Alemanha defender seu projeto de inovação.

Quer percebamos ou não, somos muito influenciados pelo ambiente onde nascemos e vivemos. A cultura dominante em nosso habitat molda quase todos os aspectos de nosso ser. Nos identificamos com essa cultura e, muitas vezes, não vemos razões para mudarmos.

O que significa essa cultura? Vamos entender cultura como as fronteiras psicológicas invisíveis que definem nossa maneira de ser e que nos separam, de forma invisível, de outras pessoas e grupos.  Em essência, a cultura é definida pelas normas e valores comuns de um grupo de pessoas.

Assim, existe uma cultura distinta sempre que um grupo de pessoas forma um consenso sobre como e porque se fazem determinadas coisas. Em relação à maneira como o resto do mundo atua, quanto mais nítido for o contraste, maiores serão os vínculos entre as pessoas que formam o chamado in-group, na linguagem de psicologia.

Esse processo de adequação é cumulativo e, no longo prazo, a cultura tem o poder de moldar nossa identidade. Com tempo e nas circunstâncias certas, as normas e os valores do grupo a que pertencemos tornam-se nossos.

Esse pertencimento ao grupo do qual fazemos parte, familiares, vizinhos e amigos, é uma força muito forte que nos induz ao comportamento “comum e esperado”. Por que algumas pessoas se desgarram desse ambiente? A resposta é simples: desenvolveram sua garra.

Os psicólogos dizem que há duas maneiras de desenvolver sua garra, uma difícil e outra mais fácil. A maneira difícil é trabalhar sozinho, lutar contra a correnteza. A maneira mais fácil é utilizar o impulso humano básico de adequação, porque quando estamos cercados de pessoas com garra, vamos nos adaptar ao ambiente e desenvolver nossa garra. Ou seja, um ambiente colaborativo facilita enormemente a criação da garra por uma pessoa.

Mas se essa pessoa não vive num ambiente colaborativo, tem que acender o “fogo interno” para atingir seus objetivos. A psicologia do sucesso mostra que essas pessoas apresentam algumas características.

Primeiro, elas têm um sentimento forte de esperança de que, com seu esforço, o dia de amanhã será melhor que o hoje. A esperança das pessoas que têm garra nada tem a ver com sorte ou destino, mas tem tudo a ver com um projeto de construção do futuro. É um antigo ditado japonês: Cair sete vezes, levantar oito.

Outra característica dessas pessoas é o otimismo.

Os otimistas, descobriu a psicologia, são tão propensos a topar com acontecimentos ruins quanto os pessimistas. Eles divergem apenas nas explicações que formulam para essas situações: os otimistas normalmente procuram causas temporárias e específicas para o sofrimento, enquanto os pessimistas culpam causas permanentes e genéricas.

Meio século de pesquisas psicológicas aponta que quando uma pessoa se esforça para encontrar maneiras de melhorar sua situação, tem uma chance muito maior de encontrá-las. São as pessoas naturalmente otimistas. Quando desiste de procurar, pensando que não existem, está garantindo que não vai acha-las.

Comumente dizemos que esse comportamento reflete a forma como as pessoas encaram a própria vida: “eu consigo chegar onde quero!” Pesquisas mostram que esse posicionamento pessoal tem a ver com o conceito que as pessoas têm sobre sua própria inteligência.

Sabemos que as pessoas de todas as idades têm as próprias teorias sobre como o mundo funciona, sobre sua própria capacidade de recuperar-se de um tombo e, claro, sobre os níveis de inteligência das pessoas.

Quando se pergunta às pessoas o que elas pensam sobre os níveis de inteligência geralmente aparecem dois grupos distintos de respostas, como os exemplos a seguir.

 “A inteligência é um elemento básico e pouco se pode fazer para alterá-la”.

“Você pode aprender coisas novas, mas não pode aumentar sua inteligência”.

“Seja qual for o nível de sua inteligência, você sempre pode modificá-la um pouco”.

“Você sempre pode aumentar sua inteligência com exercícios corretos”.

Pensando um pouco nas respostas, podemos ver que as duas primeiras respostas são de pessoas que pensam que a inteligência é um dom de uma pessoa que nasce com ela e tem valor definido, que não pode ser aumentada. Ou seja, é o conceito de mentalidade mais rígida ou determinada. Acham que é possível aprender novas técnicas, teorias e práticas, mas a capacidade de aprender - a inteligência – não pode ser aumentada.

Pelo contrário, as duas últimas identificam pessoas com mentalidade mais flexível, que veem a inteligência como um atributo pessoal com possibilidade de crescimento. As pessoas com mentalidade de crescimento ou mentalidade progressiva acreditam que se pode mudar o nível de inteligência se trabalhar com afinco, se tiver as oportunidades certas e apoio para isso. Principalmente, se acreditar que é capaz.

Ao longo da vida, todos os caminhos apresentam dificuldades. Pessoas com mentalidade mais rígida, algo comum em muitas pessoas que se consideram talentosas, quando encontram uma dificuldade que resulta em fracasso são levadas a interpretar o revés como algo inevitável e que, afinal de contas, não é a “pessoa certa”. Uma mentalidade rígida a respeito da própria capacidade leva a explicações pessimistas sobre a adversidade que, por sua vez, levam tanto a desistir diante das dificuldades quanto a evitá-las por antecipação.

Em comparação, uma mentalidade progressiva leva a modelos otimistas de explicar a adversidade, o que por sua vez, leva à perseverança e à busca de novos desafios, que em última instância, farão de você uma pessoa mais forte. Uma pessoa com esse tipo de mentalidade acredita que pode aprender e melhorar.

Ou seja, a mentalidade de crescimento leva a pessoa a acender seu “fogo interno” e cria vontade de seguir em frente.

Já se demonstrou que a mentalidade faz diferença nos mesmos campos da vida afetados pelo otimismo. Uma pessoa com mentalidade de crescimento tem mais chances de ir bem na escola, desfrutar de mais saúde física e emocional e de manter relacionamentos sociais mais sólidos e positivos.

Como o ambiente onde vivemos pode influenciar no tipo de mentalidade que vamos desenvolver e, consequentemente, se tornar mais ou menos colaborativo para nosso processo de criação da garra?

O quadro abaixo mostra comportamentos e estímulos que a psicologia do sucesso classifica como indutores de cada tipo de mentalidade.

Qual coluna representa melhor o ambiente onde você vive ou viveu?

Referências

 

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