Vida longa até 100 anos. Um presente de vida.

Que podemos fazer para viver bem essa vida longa?

Evoluo da idade  Se você está lendo esse artigo, a probabilidade de atingir 100 anos de idade é  baixa. Quantos centenários você conhece? A porcentagem de pessoas que nasceram por volta de 1918 e estão hoje com 100 anos é de 1%, incluindo países longevos como Japão. Mas, as crianças que estão nascendo agora, seus filhos ou netos, terão uma probabilidade de 50% de chegar aos 100 anos. Vida longa, que maravilha, não? Vamos conversar sobre isso, com base em estudos feitos por demógrafos americanos, publicados no livro mostrado no final (até hoje, sem tradução). Vamos em frente? Continue comigo.

Uma palavra de advertência. Essa nossa conversa vai se basear nos estudos e dados americanos, por duas razões. A primeira, que acredito contar com sua concordância, é que pretendo fugir das discussões políticas acaloradas que temos visto sobre a reforma da previdência. A segunda razão é que, mesmo com dados americanos, você fará suas próprias analogias e chegará a suas próprias conclusões já que as duas realidades – Brasil, EUA – são bem conhecidas.

O aumento da expectativa de vida ao nascer não é um fenômeno causado por fatores aleatórios. A expectativa de vida ao nascer, como o próprio nome diz, é uma média de anos que se espera que uma pessoa possa viver quando nasce e é fundamentalmente influenciada por pesquisas de saúde, qualidade do saneamento, vacinação, segurança pública e muitos outros fatores que podemos definir como “qualidade de vida”. A figura abaixo mostra a evolução da expectativa de vida nos últimos 150 anos – dados médios de países desenvolvidos.

Expectativa de vida

O principal fator que chama a atenção é que a expectativa tem uma tendência firme de crescimento, já que a qualidade de vida atualmente é muito melhor do que a 150 anos atrás. Observe que em 1900 a expectativa de vida era de aproximadamente 52 anos e em 2000 era de 76 anos. Ou seja, um ganho de 24 anos na vida média em 100 anos. Fazendo as contas, temos um aumento aproximado de 3 meses na expectativa por ano. Uma consulta ao Google vai lhe mostrar que a média da expectativa de vida no países mais desenvolvidos, hoje, é de 80 anos, o que confirma os resultados.

Sem dúvida, é um ganho de vida muito expressivo. E talvez, a conclusão mais surpreendente desses estudos demográficos é que a tendência de aumento da expectativa de vida não apresenta sinal de estagnação. No Brasil, a evolução não foi muito diferente. A geração do pós-guerra (1946 – chamada “baby boomers”) nasceu com a expectativa de vida do brasileiro em torno de 55 anos. Atualmente, essa expectativa é próxima de 76 anos (IBGE – 2016).  

Esse aumento na expectativa de vida que é, sem dúvida, um presente valiosíssimo que nossa geração ganhou, também tem o outro lado: um expressivo aumento do número de idosos no País. Esse fenômeno demográfico transforma todas as estruturas da sociedade e traz grandes desafios para nós e para as gerações futuras. Vamos observar a evolução da forma da pirâmide etária no Brasil (dados do IBGE). São autoexplicativas, não?

Evolucao piramides

Observe as pirâmides etárias verificadas de 1980 até 2010. A base (nascimentos) foi-se reduzindo e o meio da pirâmide “engordando”. Observe agora as pirâmides projetadas para 2040 e 2060. Chamo sua atenção para a redução da largura da base (número de crianças) e o aumento da largura do topo (idosos).

Nos destaques, o crescimento de pessoas com mais de 55 anos e de idosos com mais de 90 anos. Compare a quantidade de pessoas acima dos 55 anos com a parte de baixo da pirâmide, pessoas no auge da idade laboral. Atenção, a figura mostra a pirâmide etária prevista para 2060, quando as crianças que estão nascendo agora terão 32 anos. Qual será a forma dela quando essas crianças atingirem 60 anos?

Que maravilha! A nossa geração ganhou um bônus muito grande em relação à geração de nossos avós ou bisavós. Nossos filhos e netos terão um bônus maior ainda. A primeira pergunta que nos surge é sobre a qualidade de vida na velhice. Viver muito com doenças não é um presente. No entanto, as notícias são boas. Também existem pesquisas sobre isso e são animadoras.

Mas, não é nosso foco nessa discussão; vamos deixar esse assunto para você pesquisar.Essa nova realidade exigirá um redesenho fundamental nos modelos de vida. Ao lado do aumento da duração da vida, temos uma revolução tecnológica, inteligência artificial e globalização que promoverão continuamente várias mudanças na forma que vivemos.

Nossos filhos e netos encontrarão um mundo bem diferente do atual. Isso sempre aconteceu com todas as gerações e, evidentemente, as pessoas se adaptaram. Evidentemente que a expectativa de uma vida muito longa vai exigir das pessoas a preparação em diversas direções, como por exemplo, o que fazer para ocupar seu tempo. 

Nosso foco nesta nossa conversa é sobre finanças. Tenho certeza que você já está pensando que haverá uma conta a pagar. Claro que esse bônus ou presente não vai sair de graça. Quanto vai custar? O que podemos e devemos fazer?

Algumas perguntas importantes a fazer:

Com que idade os jovens entrarão no mercado de trabalho?

Qual será a idade mínima da aposentadoria para ter direito a uma pensão do estado? 

Quanto de dinheiro teremos que poupar em nossa vida de trabalho para sustentarmos a aposentadoria?

Qual será a contribuição do governo para o sustento de nosso tempo extra?

Como as pessoas usarão o tempo extra pós-aposentadoria?

 Perguntas intrigantes, não? Em nossos próximos encontros, vamos discutir esses assuntos.

Por enquanto, vou apenas deixar “as pulgas atrás de suas orelhas” para você pensar. Como referência para nossas conversas estarei utilizando o livro “The 100-year live” cuja capa mostro abaixo. Recomendo sua leitura.

Livro 100 anos

 


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