Como desenvolver a garra para obter sucesso?

Garra para ter sucesso. O que é e como aumentar

garrasTemos conversado sobre sucesso profissional e vimos que, para alcança-lo, você precisa de ter garra. Mas, o que significa realmente ter garra? O que você pode fazer para aumentar sua garra? Vamos conversar sobre isso agora. Continue comigo.

 Para provocar meus alunos na faculdade, eu sempre fazia uma pergunta: Quais são seus objetivos para a vida profissional? Muitas vezes, para não dizer a maioria, eu ouvia como resposta: Ganhar dinheiro!

Eu ria e respondia: Errado. Você só vai ganhar dinheiro se você estiver resolvendo algum problema para uma pessoa ou empresa. Para isso, seu trabalho tem que ser útil para alguém e você tem que demonstrar energia, dedicação. Traduzindo, você tem que desenvolver alguma habilidade ou competência que seja vendável, ou seja, você tem que desenvolver sua trabalhabilidade. Competência e garra são as chaves do sucesso.

Estudos mostram que pessoas com mais garra demonstram duas grandes características com relação às atividades que executa:


  1. 1. Têm uma visão mais abrangente e completa de seu trabalho,
    2. Têm interesse especial por algum assunto ou técnica.


A forma como você vê seu trabalho é um fator fundamental para seu próprio equilíbrio como pessoa e influencia todas as suas relações, com empregadores e colegas, com familiares e também amigos. Por mais que você evite demonstrar, todas as pessoas percebem e isso é um elemento fundamental para a qualidade das relações que você estabelece. 

Muitas vezes, em minha vida profissional na empresa, ouvi o seguinte comentário, que talvez você também já tenha ouvido também: “colocaram um rótulo na minha testa e eu não consigo ser promovido”. Se você pensa assim está enganado, ninguém coloca rótulo na sua testa, você coloca e os outros apenas percebem.

Há uma parábola, clássica em administração, que mostra muito bem as formas de alguém ver seu trabalho.

Três pedreiros estavam assentando tijolos em uma construção e alguém perguntou: “O que vocês estão fazendo?”

        O primeiro pedreiro respondeu, com um pouco de impaciência: “Estou assentando tijolos, não está vendo?”.

        O segundo respondeu num tom mais amigável: “estou construindo uma parede”.

        O terceiro respondeu, com um brilho nos olhos: “Estou construindo uma catedral, a casa de Deus”. 

Observe que todos estavam executando a mesma tarefa, mas a forma como veem o trabalho é muito diferente.

O primeiro apresentou uma visão pontual da ocupação, ou seja, da tarefa, o segundo uma visão mais ampla do processo e o terceiro uma visão completa da missão. Assim, podemos dizer que o primeiro vê sua atividade como uma ocupação (o que ele faz para ganhar dinheiro), o segundo vê a finalidade de sua atividade,  ou seja, mostrou conhecimento do resultado da tarefa e o terceiro tem a visão do resultado final que será obtido, ou seja, mostrou que tem um sentido de missão. 

Essas visões diferentes sobre os trabalhos aparecem quando, em pesquisas, as pessoas são perguntadas como elas veem seus trabalhos. Geralmente respondem de uma das três formas:


- “Vejo meu trabalho como uma necessidade de vida, assim como respirar ou dormir”. Essas pessoas têm visão de emprego

- “Vejo meu trabalho como um processo de crescimento e trampolim para outros trabalhos”. Essas pessoas têm visão de carreira.
- “Meu trabalho é uma das coisas mais importantes de minha vida”. Essas pessoais têm visão de uma vocação.


As pessoas que acreditam que seu trabalho é uma das coisas mais importantes em suas vidas demonstram maior satisfação com o trabalho e são mais felizes com a vida de uma forma geral.


É da natureza dos seres humanos a busca constante do prazer porque, de modo geral, as coisas que nos dão prazer são as mesmas que aumentam nossas chances de sobrevivência. Por exemplo, alimentos e sexo.

Por outro lado, a evolução levou os seres humanos a buscar sentido e propósito para as coisas que fazem, além do prazer individual. Somos criaturas sociais porque o impulso de se relacionar com outras pessoas e servi-las também favorece a sobrevivência. Sabe-se que as pessoas que cooperam entre si têm mais probabilidade de sobrevivência dos que as solitárias.

A sociedade depende de relações interpessoais estáveis e de muitas maneiras é a sociedade que nos mantém alimentados, oferece abrigo para intempéries e nos protege dos inimigos. O desejo de se relacionar é uma necessidade humana básica tanto quanto o apetite pelo prazer.

Muitas pessoas acreditam que precisam encontrar sua vocação, como se esta fosse uma entidade mágica que existe no mundo à espera de ser descoberta. Em muitos casos, sem dúvida, o caminho para uma paixão interessante e dotada de propósito pode ser imprevisível, ou seja, pode haver uma descoberta. Mas na maior parte dos casos, as pessoas precisam desempenhar um papel ativo no desenvolvimento e aprofundamento de seu interesse. 

Essa vocação é construída ao longo do tempo. De uma forma geral, as pessoas primeiro se sentem atraídas por coisas de que gostam e só mais tarde descobrem que esse interesse pessoal pode se tornar uma missão pessoal.

É o conselho que os jovens escutam de pais e professores: “Pensem naquilo que mais gostam de fazer na vida e tentem fazer isso o tempo todo. Corram atrás de seus sonhos.”

Estudos mostram que as pessoas ficam muito mais satisfeitas com o trabalho quando fazem algo que coincida com seus interesses pessoais. Por exemplo, pessoas que gostam de pensar sobre ideias abstratas não ficam felizes com atividades rotineiras, preferem resolver problemas matemáticos. Aqueles que gostam de interagir com outras pessoas não são felizes quando trabalham sozinhas no computador o dia todo. Pessoas cujos trabalhos coincidem com seus interesses pessoais, em geral, são mais contentes coma vida como um todo. 

Segundo, as pessoas apresentem um melhor desempenho no trabalho quando fazem o que lhes interessa. 

Embora se possa invejar aqueles que adoram o que fazem, não se deve supor que eles tenham partido de um ponto muito mais avançado do que as outras pessoas. O mais provável é que tenham levado algum tempo imaginando o que queriam fazer da vida.

O que impede muitos jovens de desenvolver um interesse sério por uma carreira são as expectativas pouco realistas quanto a resultados (ambição) e prazos (imediatismo). É como no amor, querem uma pessoa atraente, inteligente, simpática, atenciosa e divertida. Não é difícil achar alguém com tantas qualidades? 

Ainda se estuda muito sobre a “psicologia do interesse” mas já se sabe que, como tudo em nós, em parte o comportamento é hereditário e em parte é decorrente da experiência de vida. O que se sabe até agora é que a paixão por uma missão ou carreira tem um pouco de descoberta seguida de muito desenvolvimento e de uma vida inteira de aprofundamento

Em primeiro lugar, ninguém nasce vocacionado para uma direção, desenvolve-se ao longo dos anos, muitas vezes por influências recebidas.

Segundo, os interesses não são descobertos por meio de introspecção. São acionados por interações com o mundo a nossa volta. Não se pode querer gostar de alguma coisa.

Terceiro, em seguida à descoberta de um interesse, segue-se um esforço proativo de desenvolvimento. A ativação inicial de um novo interesse é seguida de contatos posteriores que reativem e despertem de novo sua atenção.

Por fim, os interesses se desenvolvem quando há um grupo de pessoas que o incentivam como pais, professores, treinadores, colegas. São importantes porque nos dão estímulos e informações essenciais para confirmação do interesse. E, claro, o retorno positivo nos faz sentir felizes e realizados.

Se você ainda não definiu sua paixão mas quer correr atrás, deve começar com algumas perguntas simples do tipo:


⦁ Sobre o que eu gosto de pensar?
⦁ O que é importante para mim, de verdade?
⦁ Como eu gosto de passar meu tempo?
⦁ O que eu acho absolutamente insuportável?

Ao responder a estas questões, você está dando o primeiro passo para encontrar sua verdadeira missão e desenvolver sua garra para a vida profissional.


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