VOCÊ PODERÁ VIVER MAIS DO QUE IMAGINA! Está preparado? Ou, está se preparando?

aposentaO que você vai ler aqui poderá deixá-lo preocupado!

Há uma boa notícia no ar: poderemos ter uma vida maior do que pensávamos há alguns anos atrás. Esse “bônus de vida” é um excelente presente que estamos ganhando. Quem não quer viver mais? Porém, como tudo na vida, existe o outro lado da notícia: se não estivermos preparados, poderemos envelhecer sem qualidade de vida. Nesse caso, em vez de um bônus, poderemos estar criando um ônus para familiares. Como criar condições para aproveitarmos a aposentadoria com qualidade de vida? Continue comigo para discutirmos isso. No final, gostaria muito de ver sua opinião sobre este assunto. Conto com seu comentário.
(Praça dos aposentados)


(Existe uma versão para download)

Há poucos anos atrás, quando as pessoas ficavam velhas, dizia-se que “entraram na terceira idade”. Para a menção não ficar muito pesada (“pé na cova”), falava-se numa “melhor idade”. A expectativa de vida do brasileiro era, em média, sessenta e poucos anos.
Atualmente, a expectativa de vida para ambos os sexos, no nascimento, é em média 75 anos. Mas, na medida em que nos tornamos sobreviventes quanto às doenças da infância e riscos da juventude, nossa expectativa de vida vai aumentando. Ou seja, quanto mais se vive, mais se poderá viver. Assim, se você se aposentar aos 65 anos, sua expectativa de vida (média para ambos os sexos) é 85 anos. Passou dos 80? Grande chance de chegar aos 90. Por isso, fala-se hoje na “quarta idade”. (Dados do IBGE)
Se existe a possibilidade de ganharmos um “bônus de vida”, temos que nos preparar para viver esse período com qualidade. E quanto mais cedo começarmos, melhor. A aposentadoria se planeja quando se está trabalhando e não depois que ela chega.
Os estudiosos de qualidade de vida na velhice, associações e ONG que dedicam a pesquisar a qualidade de vida de idosos em todo o mundo chegaram num consenso de que a pessoa deve possuir “quatro capitais” para viver bem:
1. Capital biológico
2. Capital social
3. Capital intelectual
4. Capital financeiro
Vamos comentar sumariamente os três primeiros, porque não fazem parte do foco principal dessa nossa arena de discussões.
1 – Capital biológico
Todos conhecem as receitas para uma boa saúde física e sabem as condições para uma velhice com qualidade de vida. Ninguém pode alegar desinformação nesse quesito e, muito menos, dizer que não tem oportunidade de se exercitar. As prefeituras de quase todas as cidades do Brasil já se incumbiram de enfraquecer esse argumento: quase todas as praças das cidades têm academias de ginástica gratuitas.
2 – Capital social
Também muito explorado pelos especialistas em velhice saudável, vamos apenas lembrar que “ninguém é uma ilha”. Boas relações com família, círculos de amigos com encontros frequentes, não ser ranzinza nem egoísta, ajudar, ser solidário, são condições de boa aceitação social. Desenvolver um trabalho filantrópico é um excelente exercício para aumentar a sociabilidade.
3 – Capital intelectual
Algumas pessoas se esquecem disso. Temos que estar conectados no mundo em que vivemos. Ler jornais e revistas para conhecermos com mais profundidade o que está acontecendo em nossa volta, acompanharmos as evoluções tecnológicas, computadores, internet, etc., são posicionamentos pessoais que tornam a pessoa agradável e reforçam o terceiro capital. Ter algum interesse artístico ou habilidade pessoal: leitura, pintura, mercenária, mecânica, reparos domésticos, são atividades que mantém a pessoa ativa e inserida em contextos próprios.
E se você, aposentado, tem aplicações financeiras, por que não acompanhar a evolução da economia para administrar você mesmo seu dinheiro?
4 - Capital financeiro
Como diz uma piadinha de internet que recebi há pouco: “Dinheiro não traz felicidade, mas ajuda muito a sofrer em Paris”. Dinheiro não nasce em árvores, portanto temos que criar um plano de acumulação e adquirirmos a disciplina para segui-lo.
Exceto entre os muito ricos, pesquisas mostram que a maioria das pessoas tem a sensação, na velhice, que pouparam pouco ao longo da vida.Isso ocorre por várias razões:
a) Pouparam pouco mesmo;
b) Os gastos aumentam com a idade;
c) Filhos demoram mais a se tornarem independentes (geração canguru);
d) “Custos da velhice” aumentam mais do que a inflação e correção das aposentadorias;
e) Mais tempo livre dá mais vontade de curtir a vida: passeios, viagens, etc.
Neste espaço, em vez de discutirmos a gestão das finanças pessoais (assunto de outro artigo aqui no blog – um dos mais acessados: “Orçamento familiar: como controlar receitas e despesas e produzir riqueza?”), vamos analisar os cenários que nos esperam no futuro.

Cenário 1: Impactos da idade da população na previdência oficial, ou seja, INSS
O IBGE prevê um crescimento muito acentuado da população com 80 anos ou mais. Veja a tabela.

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Vamos ver o impacto desses números. De 2012 a 2013, a população brasileira cresceu 0,9%. Se essa taxa de crescimento perdurar, a população, de 2010 a 2040, crescerá 31%. Observe na tabela que, de 2010 a 2040, o crescimento da população da quarta idade é de, aproximadamente, 270%.
Conclusão: mais idosos, recebendo benefícios do INSS por mais tempo.
O Brasil está envelhecendo! E as aposentadorias pelo INSS, qual é a previsão de crescimento?
A previsão de aumento do número de aposentadorias, realizada pelo próprio INSS, com base nas regras atuais pode ser vista na tabela:

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A conclusão que podemos tirar disso tudo, sem pensar muito, é que a sociedade brasileira não vai aguentar pagar aposentadoria, segundo as regras atuais, para 28% da população daqui a 25 anos, com as pessoas vivendo cada vez mais.
Existem algumas ideias já em debate no meio acadêmico e, em algum momento, um “governo mais corajoso” trará essa discussão para a sociedade. As principais ideias que circulam são:
1. Desvincular o valor do benefício mínimo da aposentadoria do valor do salário mínimo. Ou seja, o valor do benefício mínimo poderia ser inferior ao salário mínimo. Com isso, a política de valorização do salário mínimo poderá continuar ocorrendo, para criar um mercado interno maior, sem comprometer as contas da previdência.
2. Aumentar a idade mínima da aposentadoria, a exemplo do que já ocorre em países da Europa.
3. Limitar o valor do teto máximo da aposentadoria e criar uma poupança previdenciária

(fundo de aposentadoria com contribuição individual) para completar o valor que a pessoa desejar. Lembre-se que isso foi feito, recentemente, para os funcionários públicos.
Analisando esses fatores, é fácil chegar a duas conclusões:
1. Se você já é aposentado, desista de receber correções elevadas de sua aposentadoria. Esqueça aquela comparação que muita gente faz: “aposentei com tantos salários mínimos e hoje recebo a metade!”. Há muito anos que somente o piso da aposentadoria é vinculado ao salário mínimo.
2. Se você está ainda na ativa, acredite que a aposentadoria de seus sonhos deverá ser construída por você mesmo. E quanto mais cedo começar a se preocupar com isso, melhor.
Cenário 2: O que se pode esperar da economia brasileira no curto prazo?
O cenário econômico do País não ajuda muito. Se você tem acompanhado as entrevistas dos assessores econômicos dos candidatos a presidente (os candidatos falam pouco para não perderem votos), tem visto que todos falam em “ajustes”. Isso nos leva a crer que os elementos mais prováveis do cenário econômico apontam na direção de dificuldades no curto prazo:
1. Crescimento baixo da economia (PIB);
2. Correção dos preços administrados (energia elétrica, combustíveis, água, transporte público);
3. Inflação em alta – no teto (6,5%) ou acima;
4. Inflação elevada nos serviços – ninguém corrige preços com menos de 10%;
5. Juros bancários elevados para pessoas físicas;
6. Aplicações financeiras com juros reais baixos, tendendo para o juro real mundial de 2,5% ao ano.
Com base nesses cenários, podemos chegar às seguintes conclusões:
1. Já que temos chance de viver mais do que esperávamos anteriormente (que bom!) temos que nos preparar financeiramente;
2. Não podemos esperar por uma ajuda do INSS, como uma correção extraordinária das aposentadorias ou aposentadorias maravilhosas no futuro;
3. A inflação vai continuar nos perseguindo por um bom tempo;
4. Os aposentados que já contam com planos de complementação, devem se preparar para dificuldades destes em manter os planos atuais, por causa dos baixos juros futuros;
5. Pela mesma razão (baixos juros futuros), as pessoas que estão formando seus planos de complementação devem pensar em aumentar suas aplicações.
Assim, caro amigo, chegamos à conclusão final. Precisamos controlar muito bem nossas finanças pessoais e, na medida do possível, fugir das dívidas. Recomendo que leia o artigo já mencionado antes: “Orçamento familiar: como controlar receitas e despesas e produzir riqueza?”.
Em nossa próxima conversa aqui, vamos discutir a questão do endividamento familiar, conhecer as armadilhas que o mercado prepara para nos levar a fazer dívidas e algumas estratégias que podemos criar para nos proteger.

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