APOSENTADORIA TRANQUILA, QUESTÃO DE PLANEJAMENTO

Quem não quer uma aposentadoria tranquila?

Sonhos de aposentadoriaVida longa de 100 anos para nossos netos e filhos. Sem dúvida, uma ótima notícia. Quem não quer viver muito?  Como vimos em nossa conversa anterior, a expectativa de vida está crescendo e, com ela, a qualidade de vida. Mas se eu lhe perguntar se podemos contar com a previdência governamental do INSS para sustentar a vida de aposentados, qual será sua resposta? Vida longa de 100 anos para nossos netos e filhos. Sem dúvida, uma ótima notícia. Quem não quer viver muito?  Como vimos em nossa conversa anterior, a expectativa de vida está crescendo e, com ela, a qualidade de vida.

Mas se eu lhe perguntar se podemos contar com a previdência governamental do INSS para sustentar a vida de aposentados, qual será sua resposta? Tenho certeza que você vai responder com um não eloquente.

Então, o que fazer? Continue comigo e vamos conversar sobre isso.

 Viver uma vida mais longa implica em criar um capital maior para pagar as contas na aposentadoria, mas há várias outras questões a planejar.

Nosso foco aqui vai ser principalmente o financeiro, mas para podermos discutir isso precisamos pensar  em algumas hipóteses sobre a expectativa da duração de vida e a expectativa da duração de nossa vida de trabalho.

Quando eu compartilho, em palestas, essas questões relativas à formação de capital para a aposentadoria, recebo um “sonoro” silêncio em resposta. Todos sabemos que precisaremos de dinheiro para a velhice mas não estamos preparados para pensar nisso com muita convicção.

Muitas vezes escuto uma pergunta parecida com esta: “Professor, e se eu me sacrificar, economizar e morrer cedo?” Minha resposta é que somente temos duas certezas na vida: ou ficamos velhos ou morremos cedo. Mas, eu afirmo, que tenho uma certeza quase absoluta: se ficarmos velhos e não tivermos dinheiro, estamos... “numa bananosa!”

Não vamos entrar aqui na discussão política sobre a reforma da previdência que se está tentando fazer no Brasil. Esse assunto está muito politizado e não é nosso objetivo marcar posição nessa polêmica. Dessa forma, não vamos fazer hipóteses sobre a participação da aposentadoria oficial (INSS) na sua sustentação. Essa hipótese vou deixar para você fazer.

Todos queremos ter uma renda na aposentadoria que nos garanta uma velhice tranquila, mas temos que reconhecer algumas características próprias do nosso país. Primeiro, o Brasil é um país pobre. Não somos nenhuma Alemanha, então nossas expectativas e comparações com outros países devem ser feitas com cuidado. Segundo, somos um país com distribuição de riqueza extremamente desigual. Veja a figura abaixo.

 Piramide renda 2016 1

  Se analisarmos a pirâmide acima de distribuição de renda, podemos notar algo muito interessante quando falamos em financiamento de aposentadoria. Observe que a renda mensal mais baixa da classe B é de R$ 5.223,00. Esse valor é muito próximo do valor máximo que o INSS paga para um aposentado que é R$ 5.645,80.

Podemos, então, imaginar que as pessoas que estão nas classes C, D e E (83,4% da população) e são contribuintes do INSS não sentem estímulos para a formação de capital expecífico para aposentadoria, porque a remuneração esperada do INSS está compatível com seu nível atual de renda. Assim, a questão de formação de capital adicional estaria restrita apenas às classes B e A.

Por outro lado, as pessoas que se encontram nas classes A e B são muito bem informadas, usufruem de bons padrões de vida e querem garantir boas aposentadorias. Como geralmente são pessoas viajadas, é comum cairmos na tentação de nos compararmos com os outros países, principalmente EUA.Sabemos que o aumento da expectativa de vida está levando todos os países a pensarem seus próprios planos de previdência. A imprensa traz essas notícias todos os dias.

Para nos concentrarmos na nossa realidade, vamos analisar o gráfico de distribuição de renda nos EUA.

Alguma explicação é necessária?

 Classes EUA

Para facilitar sua comparação, vamos sobrepor alguns dados brasileiros. Segundo o IBGE, em 2016 as pessoas situadas na parcela de 1% dos maiores rendimentos recebiam, em média, R$ 27.085,00. Fazendo uma continha rápida, isso equivale a aproximadamente US$ 100.000,00 por ano. Você pode localizar essa parcela de felizardos brasileiros na escala americana na figura acima.

Esse “choque de realidade” nos diz que temos que fazer nosso planejamento para um futuro de vida longa com base em nossas condições.

Fazer os cálculos financeiros de quanto dinheiro você vai precisar para ter uma aposentadoria tranquila é um exercício matemático muito simples. Porém, para você resolver esse exercício vai precisar fazer suposições bem complexas sobre sua vida. Vamos chamar isso de “planejamento de vida”.

Exemplos de questões que você deve responder:

Qual é sua aspiração de velhice tranquila? 

Quanto de dinheiro você precisa para isso? 

Qual é sua capacidade para ganhar dinheiro? (Profissão, formação, mercado de trabalho, etc.); 

Qual é a renda média que você acredita que terá durante sua vida de trabalho? 

Qual será sua capacidade de economizar dinheiro? 

Pretende deixar herança?

Observe que são inúmeras questões e, sem dúvida,  exigem um exercício mental muito complexo e desgastante. Só você pode formular as perguntas e obter as próprias respostas. Mas, acredite, esse exercício vale a pena.

Em nossa próxima conversa vamos fazer alguns cálculos sobre as necessidades de criação de capital para aposentadoria. 

Porém, antes de nos despedirmos hoje, quero compartilhar com você uma figura que recebi de um amigo e que é muito expressiva. Observe bem o gráfico. Vale a pena incluir essa informação em seu exercício mental de planejamento de vida.

Trabalho USA 85 anos 3

 

O gráfico acima mostra a quantidade de pessoas com mais de 85 anos de idade que continuam ou estão voltando para o mercado de trabalho nos EUA. Isso nos alerta para algum coisa?

Até nosso próximo encontro.


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